
Há encontros que não começam no instante em que duas pessoas se veem pela primeira vez. Alguns começam antes, silenciosos, gestados no território mais profundo da experiência humana: a necessidade de pertencimento, de reconhecimento e de partilha.
É nesse lugar onde a psicologia encontra a poesia que mora a conexão verdadeira.
Entre duas pessoas, sempre existe um fio. Invisível, mas presente como um pulso.
Esse fio não se sustenta apenas pela convivência, mas pelo impacto emocional: um gesto que acolhe, uma palavra que salva num dia difícil, um olhar que confirma que somos vistos de verdade.
A ciência descreve isso como vínculo afetivo; o coração entende como destino.
E quando alguém querido parte, o que permanece não é o fim desse fio, mas sua transformação.
Ele continua ali, atravessando a ausência, costurando memórias, lembrando que alguns laços são tão profundos que nem o tempo ousa desatar.
Há pessoas que deixam marcas como quem escreve à mão: únicas, irrepetíveis.
Elas moldam nossos modos de sentir, influenciam nossas escolhas, nos ensinam coisas que continuamos aplicando mesmo sem perceber. É como se a presença delas se tornasse uma estrutura interna uma espécie de bússola emocional que continua guiando mesmo quando já não podemos ouvi-las.
Assim, a saudade não é apenas uma dor; é a prova viva de que existiu afeto autêntico.
E onde houve afeto, há permanência.